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Resiliência e a determinação em construir e reconstruir, fazendo sempre melhor!

 

O MEU LUGAR

Em 2008, quando completei 45 anos de idade, entrei em estado de reflexão. Meia jornada cumprida. O que fazer dos próximos 45 anos, se assim ele desejar? O que realmente importa na vida pessoal e familiar e na vida pública, que abracei a partir de 1991?

À época estava no meu terceiro mandato de Deputado, sendo o segundo de Deputado Federal. Na vida pessoal, havia me casado em segundas núpcias, em 2007, com a Ana Paula. O amor, a felicidade e a parceria estavam de volta! 

Na campanha de 2006, como em todas que disputei, busquei um propósito maior para servir a minha gente. Ir para Brasília para diminuir Brasília na vida do nosso povo.

Foquei na busca da justiça fiscal para as pessoas, mirando a derrubada da CPMF como forma de iniciar um processo até então nunca alcançado: retirar da vida dos brasileiros um imposto! Ainda mais um imposto que penalizava os mais pobres em detrimento dos mais ricos. Aí nasceu a “Xô CPMF”, primeira campanha de mobilização nacional que utilizou em larga escala a internet. Ganhamos as ruas e o coração dos brasileiros. As entidades da sociedade civil se engajaram na luta e, de forma inédita, inimaginável, levamos o Congresso Nacional a não renovar esse imposto em dezembro de 2007, apesar de o Governo Lulopetista viver altos níveis de popularidade naquele momento. Foi a vitória da cidadania sobre os poderosos e o Estado cartorial e perdulário.
 
Iniciei 2008, ano dos meus 45, com o compromisso de campanha cumprido e de alma lavada, e com o mau maior evitado. Explico: a derrota do Lulopetismo na CPMF jogou por água abaixo o sonho da re-reeleição, uma trama que estava sendo urdida pelo Palácio do Planalto por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional iniciada na Câmara dos Deputados por um parlamentar íntimo do então Presidente Lula.

Com a queda da CPMF e com o consequente acovardamento do ocupantes do Palácio do Planalto sobre a possibilidade de passar essa PEC no Senado, o Brasil se livrou do efeito Bolívia, onde o Presidente Evo Morales havia logrado o tento de modificar a Constituição daquele país para poder se candidatar sem limites.

A democracia estava preservada e pronta para resistir aos arroubos imperiais dos governantes de plantão. A partir desse momento, no início de 2008, comecei a passar a minha vida política e pessoal a limpo.

Estava recém-casado com uma parceira nota 10, uma bênção na minha vida, e, ainda por cima, quis o destino que fosse uma blumenauense como eu. Havia o destino me guiado por caminhos que me remeteram as minhas origens... as minhas raízes. Esse foi o primeiro sinal!

Em novembro de 2008, Santa Catarina e em especial o Vale do Itajaí, foram atingidos por uma enchente de grandes proporções que vitimou centenas de catarinenses e causou prejuízos incalculáveis para nossa gente! Os acontecimentos me tocaram profundamente. Reavivaram na minha memória as enchentes que vivi, ainda garoto, na minha cidade natal Blumenau.

À época da minha infância, as perdas se concentravam principalmente nos bens materiais. Eram raras perdas humanas. Na tragédia de 2008, diferente das outras, além dos enormes prejuízos usuais, havia centenas de mortos. Vivemos uma catástrofe de proporções inimagináveis!

Naquele momento de reflexão existencial, me veio o segundo sinal. Urgia ajudar a minha gente a minimizar a dor das perdas de forma incondicional. O sentimento de pertencimento e dor me tomaram conta. Afinal, nas minhas veias correm o sangue do Vale Europeu, da minha Blumenau que me viu nascer, me acolheu, me ensinou os primeiros passos, a falar e, principalmente, os sólidos valores que carrego até hoje e que faço questão de transmitir aos meus quatro filhos, sempre apoiado pela Ana Paula.

Somada a isso, está minha Itajaí, terra dos meus antepassados, desbravadores e construtores de parte importante da história vitoriosa da nossa Santa Catarina, com forte e decisiva participação na minha formação pessoal e política. Reagindo à situação, em novembro de 2008, numa ação certeira e necessária, propôs ao Presidente da Câmara dos Deputados a criação da Comissão Externa de Acompanhamento da Tragédia Climática em Santa Catarina, tendo a mesma sido aprovada no plenário em 26 de novembro. Fui designado seu Presidente da Comissão, na companhia de toda a bancada catarinense e do então Deputado Federal Fernando Gabeira.

Sabia que tínhamos que agir rápido e de forma assertiva. Tragédias são momentos propícios à demagogia por parte de governantes populistas e seus seguidores. O Presidente Lula e alguns de seus liderados logo iriam agir nessa direção. Já havíamos vivido situações parecidas no passado. Aliás, tratamento comum dos governantes federais de plantão com nosso estado.

Dito e feito! No mesmo dia que aprovamos a Comissão Externa, o Presidente da República sobrevoou por trinta minutos o Vale do Itajaí e, pousando em Navegantes, anunciou com pompas a edição de Medida Provisória (MP) que destinaria R$ 1,049 bilhão para o atendimento emergencial e reconstrução do nosso estado.

No decorrer dos dias, quando a MP chegou ao Congresso Nacional, constatamos que o texto tinha pouquíssimas verbas destinadas realmente a Santa Catarina. E que a maioria dos recursos poderiam ser utilizados por outras unidades da federação.

Mais uma vez, era Brasília sendo Brasília com os catarinenses! Sem termos o mínimo de recursos carimbados para nossas necessidades mais prementes, iríamos assistir a um verdadeiro caos no momento da reconstrução.

À frente da Comissão Externa e com apoio dos líderes da oposição sensibilizados com o que vivíamos, iniciamos uma luta para emendar a MP e garantir o máximo possível de recursos para o atendimento da nossa gente e para reconstrução das regiões atingidas. Para tanto, iniciamos uma obstrução sistemática na Comissão de Orçamento, que, além de naquele momento estar votando MPs, estava em plena discussão e votação do Orçamento da União de 2009.

Depois de uma batalha feroz com integrantes do PT catarinense, comandado pela Senadora Ideli Salvatti e pelo Deputado Federal Carlito Merss, que se opunham veementemente a carimbar os recursos que nos eram de direito, fui procurado pelo Vice-Líder do Governo na Comissão de Orçamento para um acordo. Feito o acordo, conseguimos carimbar R$ 360 milhões do total de R$ 1,049 bilhão prometido, que somados aos recursos já destinados a Santa Catarina na MP, atingiram pouco mais de meio bilhão de reais.

Ali garantimos a reconstrução de grande parte dos danos materiais sofridos, fazendo com que o Governador Luiz Henrique, até então assustado e receoso que a nossa luta atrapalhasse as tratativas com o Governo Federal, pudesse respirar aliviado e imediatamente iniciar o processo de reconstrução.

A primeira parte da missão estava cumprida. Daí para frente, era cobrar, garantir a liberação e fiscalizar a aplicação dos recursos. Tarefa difícil face à oposição velada por parte de alguns parlamentares ligados ao partido do Presidente, liderados pela Senadora Ideli, que via na não-liberação dos recursos uma oportunidade de enfraquecer o Governador Luiz Henrique e seus apoiadores.

Além disso, havia a volúpia do Ministro Gedel Vieira Lima, então respondendo pela Defesa Civil nacional. Ele tinha como prioridade enviar recursos da mesma MP para a sua região e se opunha ferozmente a carimbar os recursos para Santa Catarina, chegando a anexar parte dos parlamentares da Comissão Externa com retaliação. Acabou derrotado! 

Foram dois anos de muita luta e dificuldades. Mas vencemos! A única batalha que ficou pendente foi a reconstrução do Porto de Itajaí. Em mais uma ação equivocada, a Senadora Ideli colocou-se contrária à forma de contratação e solução apresentada pelo próprio Governo que ela representava e forçou a interrupção dos serviços de recuperação. Isso atrasou em dois anos a recuperação final do nosso porto. Mesmo assim, prevaleceu o bom senso e, com a participação decisiva da Comissão Externa, conseguimos junto ao TCU a liberação dos recursos para a recuperação. Foi uma batalha desnecessária e desgastante. Ao final, venceu novamente o bom senso e a razão! Assim evitamos que nossa Itajaí e o Vale perdessem o vigor econômico que representa esse alicerce indispensável para o desenvolvimento regional e toda sua vitoriosa história.

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Daí para a frente as coisas foram ficando mais claras para mim. Meu caminho de retorno as minhas origens estava selado. Retornar seria apenas uma questão de tempo e oportunidade! Já na eleição de 2010, disputando a reeleição para a Câmara dos Deputados, recebi uma votação expressiva no Grande Vale Europeu, principalmente em Itajaí, Brusque, Blumenau, Gaspar, Indaial, Balneário Camboriú, Itapema e outros. Fui brindado com mais de 51 mil votos na região! Foi a maior votação de uma região catarinense na minha eleição.

No início de 2011, assumi a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS) e iniciamos um projeto ousado e necessário para o nosso Estado. O programa SC@2022 - Estado Máximo da Inovação, caminho para a nova economia catarinense, surge como um novo norte para o futuro da competitividade de Santa Catarina e do emprego e renda para nossa gente. Mais uma vez, a inspiração veio das minhas origens, do Vale Europeu.

Sonhar, ouvir, planejar e executar, o que chamo de Plano “SOPE”, são predicados do nosso povo. Some-se a isso a resiliência e a determinação em construir, reconstruir, fazendo sempre melhor. Do catador de material reciclável à BMW, todos os níveis da economia catarinense sentiriam os resultados da nossa jornada à frente da SDS. Lançamos vários programas e projetos cobrindo os três pilares do desenvolvimento sustentável: social, econômico e ambiental. Guiados pelo Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, editado e publicado pelo CLP/The Economist Intelligence Unit e publicado na Revista Veja em 2011, iniciamos nossa caminhada para tirar o nosso Estado da tímida 7º colocação no ranking nacional e levá-lo para o pódio ainda na nossa gestão.

Juro Zero, Polos Industriais, Desenvolvimento Territorial, Programa Catarinense de Inovação, Centros Regionais de Inovação, Inventário de Emissões de Gases Efeito Estufa do Governo do Estado, atração de empresas inovadoras estratégicas (com BMW à frente), Levantamento Aerofotográfico de 100% do nosso território, Saneamento Total (planos de gestão para cidades até 10mil habitantes), Exporta SC, e Geração TEC foram alguns dos programas que executamos e que formataram a Santa Catarina que temos hoje. Seus resultados elevaram o Estado para a 2ª posição geral no Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros em uma década.

Mais uma vez, a nossa Blumenau falou alto! Inspirado no programa exitoso e pioneiro Entra 21, nasceu o Geração TEC. Entre 2011 e 2015, formamos mais de 6 mil jovens para atuar no setor de tecnologia da informação e comunicação, em consonância com as necessidades das empresas, permitindo que todas as regiões catarinenses formassem profissionais qualificados para o futuro nascente e promissor da inovação, das startups.

No Programa Catarinenses de Inovação, na alocação dos Centros de Inovação, por méritos próprios e na minha crença e reconhecimento do potencial empreendedor da região, foram alocados quatro equipamentos dos 13 planejados durante a nossa gestão. Blumenau, Itajaí, Brusque e Rio do Sul. Hoje, o Centro de Inovação de Blumenau está 100% implantado e voando baixo. Os outros três estão participando ativamente da Rede Catarinense de Centros de Inovação e aguardando o término das obras.

Ao findar minha participação como secretário na SDS, em março de 2014, me encaminhando para concorrer à eleição para o Senado. Tomei a decisão derradeira de retornar as minhas origens, independente qual fosse o resultado da eleição. A partir de 2015, fixei residência em Itajaí, com os olhos voltados às ações possíveis, da minha parte, a serem desenvolvidas a favor do Grande Vale Europeu. Veio o resultado das eleições. Quis a maioria do povo catarinense que eu não fosse eleito Senador por Santa Catarina. Em compensação, se dependesse do Vale do Itajaí, eu teria sido eleito por grande margem de votos.

Minha trajetória de retorno foi coroada com o grande “sim” por meus conterrâneos! De Rio do Sul a Itajaí, do Alto Vale à Foz, fui brindado com votações expressivas, quando não majoritárias. Não restaram dúvidas na minha decisão pessoal e política tomada em 2014.

Eis as principais votações no Grande Vale Europeu:

Blumenau – 50,34%
Itajaí – 60,23%
Navegantes – 61,05%
Balneário Camboriú – 54,99%
Timbó – 55,54%
Pomerode – 53,24%
Indaial – 47,91%
Itapema – 47,41%
Penha – 45,53%
Gaspar – 41,63%
Rio do Sul – 40,02%

No início de 2015, com a minha mudança para Itajaí, recebi a convocação dos 11 prefeitos da AMFRI (Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí) da época para organizar e encabeçar um projeto de desenvolvimento econômico e sustentável para região. Na posição de voluntário, aceitei a missão. Aí surge o InovAmfri, com o objetivo de transformar a nossa Foz do Itajaí em região de classe mundial.

A visão era clara: empoderamento regional! Fomos em busca de caminhos que nos tornassem independentes das capitais administrativas do Brasil e Santa Catarina. Era um sonho acalentado por todos, mas até então apenas encontrado nos discursos políticos nos tempos de eleição. Botamos a mão na massa. E, com um pequeno grupo de abnegados servidores da AMFRI, liderados pelo engenheiro João Luiz Demantova e pelo Diretor Executivo da AMFRI, Célio José Bernardino, iniciamos os trabalhos. O colegiado de prefeitos definiu mobilidade urbana regional, desenvolvimento econômico com foco na inovação e formação de líderes para gestão pública de qualidade como os eixos principais, sem descuidarmos da saúde, da educação e da vocação turística.

Todos os projetos propostos foram executados e entregues ou estão em execução. O Plano de Mobilidade Urbana Regional Integrada foi abraçado pelo BIRD, conhecido como Banco Mundial. Está em fase de contratação de empréstimo pelo CIM-AMFRI, o consórcio que nasceu para tornar a nossa região menos dependente das capitais. Será um investimento público de US$ 120 milhões por parte do Consórcio CIM-AMFRI com contrapartida privada de outros US$ 240 milhões. O projeto é pioneiro no Brasil e no mundo. Irá interligar os 11 municípios da região por transporte público 100% elétrico, com BRT em alguns trechos, travessia por túnel imerso entre Itajaí e Navegantes e o desenvolvimento de uma micromobilidade completa, destacando a urbanização total da Praia Central de Balneário Camboriú.

Com o desdobramento dessas ações, em dezembro de 2021, fui chamado pela AMVE (Associação dos Municípios do Vale Europeu) para implantar essa experiência bem-sucedida na forma do Inova Vale Europeu para os 14 municípios da região. É uma nova missão que cumprirei com toda força e dedicação.

Mais uma vez, terei a oportunidade de devolver um pouco a quem tanto devo e sou devoto, a quem devo minha formação e que muito contribuiu para construção dos meus valores e caráter. É um sentimento muito forte de pertencer a uma região, o Vale do Itajaí, que me enche de orgulho e responsabilidades! Afinal, quando fui emigrado de Blumenau em 1975, aos 12 anos, por força da profissão do meu pai e não por minha escolha, descobri, nesse longo caminho até aqui, e principalmente a partir de 2008, quando completei 45 anos, que uma coisa jamais irá mudar: você pode sair de Blumenau, mas Blumenau jamais sairá de você!

Uma bênção!

Paulo Bornhausen

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