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Telemedicina e o futuro da saúde

A pandemia trouxe mudanças que vão moldar o cotidiano das pessoas por muitos anos. A telessaúde é uma delas. Na esteira da popularização de serviços de saúde remotos, outras tecnologias do setor também ganharam fôlego. É a injeção de inovação quebrando paradigmas em um segmento tão importante da vida de todos. Também representa uma forma de fortalecer o atendimento presencial e ajudar a agilizar, democratizar e universalizar o acesso à saúde, um dos grandes problemas do Brasil de hoje.


Pela telemedicina é possível realizar consultas médicas, acompanhar o tratamento e avaliar os resultados de exames em tempo real sem que médico e paciente estejam no mesmo ambiente físico. Estamos falando aqui de atendimento de saúde qualificado à distância. Isso pode ser feito por meio de aplicativos específicos em celular, computadores ou, em alguns casos, em cabines privadas instaladas em ambientes públicos, com segurança e rapidez.


De acordo com a Saúde Digital Brasil, entidade do segmento de telessaúde, entre 2020 e 2021, houve um aumento de 316% nos atendimentos virtuais. A grande maioria eram consultas iniciais que permitiram que o atendimento presencial estivesse focado nas etapas mais relevantes dos tratamentos. Ainda evitou que milhares de pessoas se aglomerassem em pronto-socorros, clínicas e hospitais nos piores momentos da pandemia. Outra pesquisa, da plataforma Conexa Saúde/Datafolha, revelou que o serviço é muito bem aceito por 71% das pessoas que realizaram consultas online.


Os números são muito bons. Porém, dois pontos precisam de atenção. A legislação federal que permitiu o avanço desta modalidade de atendimento de saúde, a Lei 13.989/2020, irá valer enquanto a pandemia estiver decretada. O segundo ponto é a adoção da telemedicina nas redes de saúde pública. O atendimento remoto ainda é muito mais presente no setor privado, o que cria uma barreira para a universalização do serviço.


Há projetos tramitando no Congresso Nacional para reforçar a legislação sobre o assunto. É importante que o Congresso tenha sensibilidade e competência para estimular as inovações no segmento, ouvir profissionais e instituições, e garantir a segurança dos dados dos pacientes. Mas não podemos esperar pela boa vontade de Brasília para dar o passo adiante. É preciso adequar o Brasil para termos uma saúde de classe mundial. Municípios já estão se antecipando e legislando em favor da prática permanente da telessaúde, como São Paulo. No InovAmfri, demos um primeiro passo: entregamos um panorama da saúde e propusemos soluções inovadoras para os desafios regionais. A telessaúde traz uma oportunidade de irmos mais longe como região organizada, criando as condições jurídicas e técnicas para a sua popularização na Foz do Itajaí.


Já abrigamos por aqui um ecossistema de inovação capaz de dar suporte aos serviços de saúde digital. O Centro de Inovação Regional de Itajaí será o espaço ideal para atrair novos talentos e fomentar tecnologias de atendimento remoto na rede pública de saúde. É o que está acontecendo em Joinville, onde o Ágora Tech Park lançou o ano passado o cluster de empresas de saúde Ágora. Health. As chamadas healthtechs, empresas que desenvolvem inovações neste setor, estão entre as que mais cresceram na pandemia, muitas deles em Santa Catarina. Temos ao nosso alcance as estruturas adequadas e uma vasta rede de empreendedores que precisam do devido fomento do poder público para nos ajudar nesta missão. É uma tendência que deve ganhar cada vez mais força. O momento é de escolher o caminho: se queremos ser pioneiros também com um projeto de saúde digital regional ou se vamos esperar para que Brasília, mais uma vez, tome as decisões sobre o nosso futuro. A minha escolha eu já fiz: é pelo pioneirismo.


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